Filosofia barata: quando será o próximo fim do mundo?
Maio 15, 2008 at 5:08 pm (Filosofia Barata)

Nostradamus. Por ele, segundo muitas pessoas, a gente já estaria nos escombros do fim do mundo faz tempo.
Ahhhh, as maravilhas da imaginação humana. Existem inúmeras situações em que essa pequena caixa e pensar do homo sapiens o colocara em situações de glória – e de loucura, também. Em especial esse último grupo, os loucos, tem um destaque especial no decorrer da humanidade. Vale lembrar que foram os loucos que imaginaram o mundo como não imaginamos, permitindo que a sociedade mudasse com o decorrer do tempo depois de cada novo invento glorificado pelo poder das gerações. Os M&M’s, por exemplo, aqueles viciantes pedaços de chocolate cobertos por uma camada especial, surgiram na segunda grande guerra com a necessidade dos soldados de consumirem um chocolate não derretido.
Mas também a imaginação – essa mistura de formas e pensamentos que formam nossas ações diárias – levam a pensamentos bastante acidentais em um sistema de crenças formais.
E é nessas que quero focar. Meu caro amigo, Mr.Mafort, sempre me apresentera as mais profundas e pelo menos um tanto coerentes teorias da conspiração possíveis. Os religiosos são os campeões nesse assunto e o fim do mundo é o tema mais recorrente.
Afinal de contas, a morte de Kennedy tem uma explicação bem mais plausível, e o governo esconde de você, caro leitor. Nostradamus, pela quinquésima oitava vez, previu que em datas futuras o mundo soferá grandes danos. Também nos é apresentado que a nanotecnologia será o fator definitivo para a impregnação do mal no futuro próximo. Fiquem de olho, meus caros. Eles estão em todo o lugar, no melhor estilo Magnus Frater spectate te.
Todas essas possibilidades vem da necessidade humana nata de tentar encontrar fatores maiores aonde eles não existem. Assim, chamas coloridas que aparecem em pântanos e cemitérios viram fantasmas, como relata meu amigo Daniel em seu post sobre o fenômeno do Ignis Fatuus, que você verificar aqui. A loira do banheiro foi uma constante em sua vida. Não se engane, aquela pessoa que você acha ter visto atrás atrás de você deve ser alguém importante.
Tentar encontrar uma explicação para tudo faz parte das mentes mais céticas. Tudo isso é um estímulo para levar o ser humano à verdade suprema. Infelizmente, nesse quesito, a tentativa de reduzir a grandeza da existência, limitando ao que a conhecemos, pode remover toda a sua beleza e vitalicidade.
É assim que o Ser supremo, infinito e quase insondável se torna um velhinho de barba longa, e um cajado pronto para te ferir. Compreender que certas grandezas não podem ser medidas muitas vezes atrapalham as mentes das pessoas. Imagine, por exemplo, o espaço sideral: ele é gigante ou infinito, considerando que os cientistas chamam de infinito um número que não pode ser medido. Mas, afinal de contas, o espaço está se expandindo no que? O que vem depois do gigante complexo que chamamos de Universo?
Muitas vezes ficamos nos colocando a disposição de uma explicação para tal força insondável. Santo Agostinho, o típico santo que Deus falou “serás o cara” quando veio à este mundo, certa vez colocou-se a filosofar em entender os mistérios da Santíssima Trindade. Aquela mesma, confusa, que o Pai o Filho e o Espírito Santo são Deus, mas eles não são o mesmo ser.
Agostinho filosofou demais. Reza a lenda que ele apenas parou quando um Anjo lhe aparecera e lhe dissera: Agostinho, pede pra sair desiste.
Portanto, meus caros, existem duas vertentes nas quais discutimos esse texto. A primeira é o nosso mundo físico, no qual originalmente deveríamos ser racionais: a natureza é perfeita em suas ações, que a ciência chama de leis. Não existem exceções, a não ser por milagres, que qualquer um pode enumerar uma lista. Não é a toa que a própria Igreja exige uma avaliação científica do ocorrido antes de dizer a plenos pulmões que é um milagre, ou algo acima da natureza. Ainda assim, mesmo que não seja milagre, não significa que o Criador tenha dado seus toques por lá. Ele age de maneiras misteriosas, nos diria o Professor Constantine nesse momento.
Mas também temos as grandezas espirituais, relacionadas ao Ser Supremo, acredite você n’Ele ou não, você vai acabar estudando Ele. Não cabe a nós ficarmos questionando os desígnios lá de cima como Jó (que vocês conhecerão nos próximos Querida Comunhão dos Santos) o fizera. Nós ainda não estamos preparados para aquilo que as nossas mentes e corpos limitados não entendem. Mas é sempre bom não se esquecer dessa ligação única. O Eros, uma das inúmeras palavras gregas que definem o amor nos Evangelhos originais, define um amor de proximidade, físico. Também o insondável se faz presente neste mundo, na figura que a sua religião deve definir. Nas três grandes monoteístas, e também na minha crença, Cristo é esse Ser Supremo, Emmanuel, Deus Conosco. Além dos milagres, que já comentei aqui.
Por isso, caríssimos, mesmo que você não entenda como são as vidass ilimitadas da turma do andar de cima, você pode contar com a ajuda deles: eles entendem você. Mas nada de ficar olhando para o Céu, babando para ganhar na Sena, para que a namorada perfeita que goste de video-game chegue de lá para você, ou que os santos padoreiros dos estudantes lhes enviem gabaritos de provas por fax divino. Acredite, eu já tentei. E como comentei, os meios deles não são como os nossos. Mas conte com eles para ter a força de trabalhar para conquistar isso tudo, e sim, também falo de uma namorada que goste de video-game. Elas existem, saiba.
Pedi, e vos será concedido, se não fordes fanfarrão, perceberás até que sempre lhes fora concedido. Até o próximo fim do mundo. E, se ele vier, você não poderá fazer nada. Continue o que estava fazendo, como dissera-nos São João Bosco quando questionado sobre o assunto.
A Vida antes da morte
Maio 11, 2008 at 7:27 pm (Filosofia Barata) (esperança, exposição, frases, morte, vida)
“Eu abraço a morte. Ela não é eterna.”
É com essas palavras aparentemente mórbidas, meu caro, leitor, que vos exorto a tratar desse assunto. O Sedentário & Hiperativo, um blog de variedades muito interessante e o qual volta e meia sempre dedico um espaço do meu tempo vago, me chamou a atenção para esse post:
“Ninguém nos ensina melhor sobre a vida do que a própria morte. A jornalista Beate Lakotta e o fotógrafo Walter Schels perguntaram a 24 doentes terminais se eles poderiam acompanhá-los durante suas últimas semanas e dias de vida.”
O fruto desse trabalho foi uma série de fotografias e relatos colhidos antes e após a morte dessas pessoas.
Uma verdade surpreendente, eu diria. A exposição é realmente enriquecedora. Já dizia um filósofo, cujo o nome tentarei me lembrar mais tarde, que a melhor maneira de acabar com o medo da morte é enfrentá-lo todos os dias. Essas pessoas foram forçadas à enfrentar tal medo por saberem que estavam próximas à ela.
Não vou colocar as fotos dos que se foram aqui, mas você pode conferir alguns exemplos clicando na imagem acima. Olhando para as imagens, eu confirmo a minha teoria pessoal: falta alguma coisa àquelas pessoas… a essência, a alma, é completamente vísivel tal ausência.
A frase que abriu o post é da chinesa ilustrada acima, Maria Hai-Anh Tuyet Cao. O manifesto completo diz: “A morte não é nada. Eu abraço a morte. Ela não é eterna. Depois, quando nós encontramos Deus, nós nos tornamos bonitos”. Ainda me arrepio com as outras manifestações… ao contrário do que eu esperava com minha tola mente cética, nenhum deles estava com medo: os que não falavam do encontro com a eternidade, quando esse mundo se torna vago, diziam que consideravam um desperdício, um evento de grande perda. Ora, que sublime valorizar a vida! Uma mensagem que precisa ecooar na mente e em muitas situações do mundo atual.
Já nos dizia São Paulo que o homem era limitado porque, nascendo de corpo e espírito, acha que terminava no corpo. A mensagem que percebo daquelas frases é que, de uma ou outra maneira, aquelas pessoas perceberam isso. E hoje é o dia que a Igreja comemora a “percepção”, na ação do Espírito Santo em Pentecostes, das quais dedicarei um post mais tarde.
Por enquanto, é só.
E, é claro:
Fidelium animae per misericordiam Dei requiescant in pace. Amen.
