Intercâmbio: A nova série do Fides et Ratio

Saudações, meus inúmeros, grandiosos, cultos e inexistentes leitores!
Fico feliz que o blog tenha recebido de fato algumas visitas recentemente, coisa que admito não ter esperado com o advento dele. Parte dessas visitas eu devo ao meu amigo de longa data, Daniel, ou Dynamo, como preferir. Desde as escola, ele sempre se interessou por assuntos diversos, e agora, por meio dos fatos da vida, ele continua com novo fervor o seu blog, o Ignis Dei (e viva o latim!).
Hoje estamos iniciando uma série de posts que, espero, consiga terminar aqui no blog. Ele é também um dos objetivos porque voltei a postar meus pensamentos fracos: o registro dos acontecimentos do intercâmbio, que já está para completar um ano de ocorrido. Tempus fugit, como se diz por aí. Eu vou começar pelo acontecimento mais forte de início de envolvimento meu com o território gringo: a embaixada americana para conseguir o visto de entrada nos Estados Unidos. Esse processo assusta muita gente, e me assustou também, tenha certeza. Mas, antes disso, vou comentar da viagem como um todo.
Marcar um passeio no consulado americano leva seu tempo. Para aqueles que estão por fora das condições diplomáticas, uma embaixada é considerado território do país que representa. Ou seja, todo ser de células tupiniquins que por seus pés na embaixada pode dizer oficialmente que esteve em território americano. Qualquer coisa que você faça por lá está sujeito aos tramites de leis daquele país. Todo mundo já viu um filme em que o personagem acaba fugindo para a embaixada para pedir proteção. É mais ou menos por aí mesmo. Lá dentro, você não pode ser preso pelo país acusador, já que está no seu território. E se você tentar violar – Jack Bauer, preste atenção agora – a embaixada, você está violando a soberania de um país e provavelmente, depois de desculpas por “mal entendidos” poderá ser acusado ato de guerra. A história é cheia de exemplos recentes disso. Quando o ex-presidente do Equador fugiu para o Brasil, ele se abrigou temporariamente na nossa embaixada por lá. Ai daquele que tentasse alguma coisa. E quando o Chapolim–, err, quer dizer, o Chavez arrumou briga com os amiguinhos na Colômbia, ele expulsou os embaixadores do “inimigo” de seu país. Acredite, quebrar regras diplomáticas pode gerar muita dor de cabeça, meu caro leitor, como diria M em Cassino Royale: quebrar a principal regra das Relações Internacionais.
Mas chega de briefing. O meu consulado americano para o Brasil fica em São Paulo, assim como outras cidades mais. Nós estávamos bem no meio de um início de crise aérea – coisa boba, o pessoal diria – e isso motivou algumas passagens bastante baratas. Sabe o que isso significa, seu zero-meia? Que o Tiago ia para a capital do estado de TAM.
Ahhhh, andar de avião. Minha última experiência fora andar de teco-teco aqui, no former campo de aviação. Uma atividade transformadora, se me permite dizer. Antes dela, eu expressamente proibira meus pais de viajar longe de saídas de emergência em sua viagem para o Chile. Santa inocência.
Depois que eu dei uma volta panorâmica pelos verdejantes prados do território potirendabano, porém, meu conceito de vida aérea mudou. Do nada, o Tiago passou a andar com miniaturas de aviões para todos os lugares. Era mais fácil do que agachar para carrinhos, afinal. Pilotos da força aérea viram seus heróis, e a Esquadrilha da Fumaça, um sonho, como continua sendo. Mas, apesar do vício contínuo, eu so havia andado uma vez de avião até então.
O aeroporto de Rio Preto de manhã pode não parecer um lugar inspirador, mas pode acreditar, continua sendo divertido voar. Uma dor de barriga psicológica marcou meu jejum de voar, talvez não por montar em um avião – coisa que eu queria há muito tempo – mas sim o medo de ter o visto negado. Vocês entenderão logo, prometo.
O friozinho da manhã não tira o sorriso das aeromoças que esperam você com pompa na porta do avião, perto do comandante da aeronave – jovem, na maioria das vezes, bem no estilo “Prenda-me se for Capaz” mesmo. O ticket indica aonde você deve sentar. Eu fui agraciado com uma janela. Ótimo. Meu pai, meu companheiro corajoso de medo de aviões, do meu lado.
O sorriso da aeromoça varre a aeronave, travando poltronas, verificando porta-objetos, certificando-se dos cintos. “Desculpe senhor” aqui, “tudo certo” ali, e a aeronave está pronta para partir. A porta se fecha – para a aflição inicial de uns e uma mistura profunda de sentimentos da minha parte – e logo o super comandante testando o rádio diz: “Tripulação, decolagem autorizada”…. ahhh, novamente, que baita satisfação ouvir isso. Se algo acontecer, eles vão continuar sorrindo pra você. Começa então o cerimonial de emergência explicado pela tripulação, geralmente com pequenos visores que surgem a sua frente e um manual que fica nos bancos: impressionante como eu fui um dos poucos que pegou o papel para dar uma olhada séria nele. Enquanto a aeromoça continua sorrindo bonitinho com a máscara na boca, a aeronave se posiciona. Ora, colocando-se o avião na cabeceira da pista, ela se senta, gentilmente.
Nunca vou esquecer a decolagem. Eu estava olhando para a janela, o barulho insistente da turbina semi-ligada, a luzinha insistente em piscar na ponta da asa e que marcava a pista.
VUUUUUUMMMMM… talvez seja essa a melhor prosopopéia que representa a turbina ligando, seu corpo indo para trás e a sensação de frio de barriga deixando o chão… uma olhadinha pela janela, e a basílica está próxima. Tempo para o sinal da cruz, a proteção constante que me acompanha, assim como uma boa parte do pessoal de confiança espiritual voando. Alguns minutos depois, o sorriso branca de neve aparece novamente. Balinhas, refrigerante, suco, água… tudo isso são oferecidos pelas gentis aeromoças. Fiquei olhando pela escuridão da janela a maior parte do tempo, as tímidas luzes da cidade se apagando para a manhã acolhedora dos primeiros raios de sol. Imaginar de quais cidades se tratavam e um assunto para os experts, não meu. Mas sempre vale uma tentativa, entre uma e outra explicação do meu pai, um pouco mais confiante, sobre o avião. Solicito o fone de ouvido para sintonizar o canal de música clássica. Talvez o único que tenha tido tal interesse no avião. Mas eu não consegui ouvir completamente a primeira composição. Tempus fugit. Cinqüenta minutos passam muito rapidamente dentro de um avião. Quando você pensa que abaixo das nuvens existe apenas o mato restante no estado de São Paulo, o piloto anuncia que já estamos descendo e logo o muro de concreto da cidade aparece diante dos seus olhos como mágica. O aspecto cinzento dos prédios, a proximidade com o solo, as formigas humanas se movendo lá embaixo: como é bom voar.
Pousar um avião é uma arte. Na maioria dos pousos que tive, houve baques, houve barulho, e houve simples toques na pista. Eu não lembro desse vôo especificamente, mas tenha certeza, foi demais. Tudo isso, claro, depois dos sorrisos Colgate da aeromoça ter se certificado que os bons passageiros estavam com seus cintos adequadamente apropriados para o pouso. O comandante e tripulação agradecem o vôo, lembrando que “sabemos que a companhia aérea é uma decisão do cliente”. Que fofinho.
Os mesmos sorrisos acolhedores te esperam lá fora, naquele ar de “volte sempre, camarada”. Acho que meu comandante chamava Arthur. Esse nome veio agora na cabeça.
O aeroporto de Congonhas estava bastante ativo na época. Esperamos por um ônibus, que veio nos buscar na pista e com velocidade nos levou até o terminal percorrendo mais ou menos o tamanho do aeroporto de Rio Preto. Quanta ironia.
Os trabalhadores vestiam suas blusas: eu estava claramente na terra da garoa, podia acreditar que realmente aviões funcionavam. Pode parecer bobo, mas sentir um ocorrido sempre muda o sentido da coisa.
Meu pai e eu saímos do aeroporto cerca de 7:06 da manhã. Seis minutos para cruzar, o avião chegara na hora. Um táxi esperava, como sempre espera. São Paulo não pára.
No próximo post, a entrevista em si. Fiquem de olho, leitores inexistentes!
Daniel disse,
Maio 5, 2008 às 5:53 am
Olá velho amigo ^^ fico realmente lisongeado pelo link em seu blog .. mas tenho poucos leitores então acho que suas visitas aconteceram pela qualidade de seu blog ^^ alias muitissimo interessante o post sobre o intercambio ^^
Parabéns pelo exelente trabalho ^^ ateh +