Filosofia barata: quando será o próximo fim do mundo?

Maio 15, 2008 at 5:08 pm (Filosofia Barata)

Nostradamus. Por ele, segundo muitas pessoas, a gente já estaria nos escombros do fim do mundo faz tempo.

Ahhhh, as maravilhas da imaginação humana. Existem inúmeras situações em que essa pequena caixa e pensar do homo sapiens o colocara em situações de glória - e de loucura, também. Em especial esse último grupo, os loucos, tem um destaque especial no decorrer da humanidade. Vale lembrar que foram os loucos que imaginaram o mundo como não imaginamos, permitindo que a sociedade mudasse com o decorrer do tempo depois de cada novo invento glorificado pelo poder das gerações.  Os M&M’s, por exemplo, aqueles viciantes pedaços de chocolate cobertos por uma camada especial, surgiram na segunda grande guerra com a necessidade dos soldados de consumirem um chocolate não derretido.

Mas também a imaginação - essa mistura de formas e pensamentos que formam nossas ações diárias - levam a pensamentos bastante acidentais em um sistema de crenças formais.

E é nessas que quero focar. Meu caro amigo, Mr.Mafort, sempre me apresentera as mais profundas e pelo menos um tanto coerentes teorias da conspiração possíveis. Os religiosos são os campeões nesse assunto e o fim do mundo é o tema mais recorrente.

Afinal de contas, a morte de Kennedy tem uma explicação bem mais plausível, e o governo esconde de você, caro leitor. Nostradamus, pela quinquésima oitava vez, previu que em datas futuras o mundo soferá grandes danos. Também nos é apresentado que a nanotecnologia será o fator definitivo para a impregnação do mal no futuro próximo. Fiquem de olho, meus caros. Eles estão em todo o lugar, no melhor estilo Magnus Frater spectate te.

Todas essas possibilidades vem da necessidade humana nata de tentar encontrar fatores maiores aonde eles não existem. Assim, chamas coloridas que aparecem em pântanos e cemitérios viram fantasmas, como relata meu amigo Daniel em seu post sobre o fenômeno do Ignis Fatuus, que você verificar aqui. A loira do banheiro foi uma constante em sua vida. Não se engane, aquela pessoa que você acha ter visto atrás atrás de você deve ser alguém importante.

Tentar encontrar uma explicação para tudo faz parte das mentes mais céticas. Tudo isso é um estímulo para levar o ser humano à verdade suprema. Infelizmente, nesse quesito, a tentativa de reduzir a grandeza da existência, limitando ao que a conhecemos, pode remover toda a sua beleza e vitalicidade.

É assim que o Ser supremo, infinito e quase insondável se torna um velhinho de barba longa, e um cajado pronto para te ferir. Compreender que certas grandezas não podem ser medidas muitas vezes atrapalham as mentes das pessoas. Imagine, por exemplo, o espaço sideral: ele é gigante ou infinito, considerando que os cientistas chamam de infinito um número que não pode ser medido. Mas, afinal de contas, o espaço está se expandindo no que? O que vem depois do gigante complexo que chamamos de Universo?

Muitas vezes ficamos nos colocando a disposição de uma explicação para tal força insondável. Santo Agostinho, o típico santo que Deus falou “serás o cara” quando veio à este mundo, certa vez colocou-se a filosofar em entender os mistérios da Santíssima Trindade. Aquela mesma, confusa, que o Pai o Filho e o Espírito Santo são Deus, mas eles não são o mesmo ser.

Agostinho filosofou demais. Reza a lenda que ele apenas parou quando um Anjo lhe aparecera e lhe dissera: Agostinho, pede pra sair desiste.

Portanto, meus caros, existem duas vertentes nas quais discutimos esse texto. A primeira é o nosso mundo físico, no qual originalmente deveríamos ser racionais: a natureza  é perfeita em suas ações, que a ciência chama de leis. Não existem exceções, a não ser por milagres, que qualquer um pode enumerar uma lista. Não é a toa que a própria Igreja exige uma avaliação científica do ocorrido antes de dizer a plenos pulmões que é um milagre, ou algo acima da natureza. Ainda assim, mesmo que não seja milagre, não significa que o Criador tenha dado seus toques por lá. Ele age de maneiras misteriosas, nos diria o Professor Constantine nesse momento.

Mas também temos as grandezas espirituais, relacionadas ao Ser Supremo, acredite você  n’Ele ou não, você vai acabar estudando Ele. Não cabe a nós ficarmos questionando os desígnios lá de cima como Jó (que vocês conhecerão nos próximos Querida Comunhão dos Santos) o fizera. Nós ainda não estamos preparados para aquilo que as nossas mentes e corpos limitados não entendem. Mas é sempre bom não se esquecer dessa ligação única. O Eros, uma das inúmeras palavras gregas que definem o amor nos Evangelhos originais, define um amor de proximidade, físico. Também o insondável se faz presente neste mundo, na figura que a sua religião deve definir. Nas três grandes monoteístas, e também na minha crença, Cristo é esse Ser Supremo, Emmanuel, Deus Conosco. Além dos milagres, que já comentei aqui.

Por isso, caríssimos, mesmo que você não entenda como são as vidass ilimitadas da turma do andar de cima, você pode contar com a ajuda deles: eles entendem você. Mas nada de ficar olhando para o Céu, babando para ganhar na Sena, para que a namorada perfeita que goste de video-game chegue de lá para você, ou que os santos padoreiros dos estudantes lhes enviem gabaritos de provas por fax divino. Acredite, eu já tentei. E como comentei, os meios deles não são como os nossos. Mas conte com eles para ter a força de trabalhar para conquistar isso tudo, e sim, também falo de uma namorada que goste de video-game. Elas existem, saiba.

Pedi, e vos será concedido, se não fordes fanfarrão, perceberás até que sempre lhes fora concedido. Até o próximo fim do mundo. E, se ele vier, você não poderá fazer nada. Continue o que estava fazendo, como dissera-nos São João Bosco quando questionado sobre o assunto.

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Querida Comunhão dos Santos: a quem devo culpar essa semana por Católicos deixando a Igreja?

Maio 12, 2008 at 6:49 pm (Querida Comunhão dos Santos)

Dos geniais posts originais da Ironic Catholic:

Querida Comunhão dos Santos:

Eu acabei de ler os resultados dos estudos de observação religiosa nos Estados Unidos (e provavelmente, é assim no mundo todo), e notei com horror que o comparecimento Católico está caindo dramaticamente se ninguém factuar as imigrações do México e América Central.

Estou mais quente do que uma chaleira apitando à toda sobre isso. Mas também estou confusa… deveria eu culpar o Vaticano II? Os Jesuítas? O Código Da Vinci? Opus Dei? Esses dogmatistas loucos? Esses frenéticos por cafeterias? A mídia? Relativismo? Pais preguiçosos? Eventos de esporte nos Domingos? Os escândalos de abusos sexuais? A falta de adoração eucarística? Eu preciso focar minha frustração em alguém, porque eu realmente quero jogar alguém na areia por causa disso. Por favor ajudem!

Suplicando vingança divina,

Madeleine Fervente

(Apesar de um pouco de indecisão no Céu sobre quem daria uma opnião nessa primeiro, Santa Teresa de Ávila é escolhida para responder a questão.)

Minha querida irmã em Cristo,

Esta não é a razão pelo qual os números caíram, mas eu quero que você pare e considere uma frase: A Inquisição.

Agora, como uma indigna tentando ser fiel através da graça de Nossa Majestade, eu não quero reclamar. Eu desejo lembrar a você que a Inquisição foi uma realidade concreta nos meus dias, e os Inquisitores questionaram o meu trabalho e os meus dons místicos que eu recebi de Deus. Não foi prazeroso. Então a minha ordem me deu todos os tipos de dificuldade ao criar uma observação mais restirita do carisma Carmelita. Meu mais honorável Padre Juan foi mantido em confinamento na solitária pelos membros da ordem naquele tempo. Não foi um bom momento na história da Igreja Católica, digamos. Talvez você tenha ouvido falar.

Como nós respondemos à tudo isso?

Nós nos tornamos santos.

Pense no assunto.

É claro, é importante olhar sobriamente no porque das pessoas saírem, ou abandonarem, a Igreja. Tal educação pode providenciar uma pista para a auto-correção. Também nos faz humildes, e nós precisamos disso. Mas nós sabemos o que precisamos fazer: nós precisamos nos devotar, de coração e alma, à Cristo. E viver tal vida é uma inspiração aos outros. Eles querem saber o que a faz brilhar. Eu lhe digo, eu não queria escrever nenhum desses livros. Mas eu fui ordenada, e eu penso que esse é o porque. Nos dividirmos não inspira ninguém além de satanás. Tenha uma mente singular. Devoção autêntica à Deus é o maior afrodisíaco evangélico que nós temos.

Permita que Deus te torne Santa, Madeleine. Amar Ele é ótimo; você vai deixar a vingança cair como uma batata quente (o que isso é). E você pode ter grande participação no crescimento da Igreja Católica nos Estados Unidos ( e resto do mundo).

Na Alegria e Bondade de Cristo,

Teresa.

Mais um artigo postado. Coloquei esse post porque as vezes me irrito muito facilmente com pessoas que conseguem criticar facilmente em todos os espaços da mídia a Igreja, mas que na verdade não tem nenhum conhecimento real sobre o assunto. A grande maioria dos católicos relapsos tiveram uma formação muito fraca em religião e talvez nem se aventurem a ler um ou outro documento da Igreja. O mundo está cheio de gente tirando sarro da Igreja e o Papa. E eu estou cheio disso. Mas, dando o exemplo, eu não vou massacrar ninguém por tal estupidez. Nós já aprendemos com a Inquisição que esse não é o caminho. Só que os outros ainda não aprenderam o básico ainda: respeito.

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Papist: Pentecostes

Maio 12, 2008 at 1:01 am (Papist)

Pentecostes (1732) por Jean Restout

Hoje foi o dia das mães. Essa é mais uma das certezas de toda a vida. Todo mundo teve uma mãe, todo mundo teve seu contato humano, todo mundo ficou pelo menos cerca de 9 meses em uma cobetura de carinho e amor que se extendera na vida extra-uterina por todos os dias, mesmo que esse não seja um laço biológico. Nossas mães sempre nos educara nos caminhos da vida, nunca nos deixou sem o agasalho apropriado e teve coragem de desafiar nossos teimosos cabelos em uma manhã que jamais parariam de maneira correta. Uma recomendação, no entanto, figurou sempre nas bocas maternas quando suas crias tentavam sair de casa: “Juízo, filho!”

Juízo. Que palavra bonita, mas que muitas vezes a gente não entende. Significa responsabilidade, na minha opnião. Mas em um baluarte bem ma is amplo que nos pede que tenhamos conhecimento, sejamos sábios e acima de tudo conscientes do que nossas mentes perversas possam fazer. Às nossas mães, no entanto, só restam confiar à Deus que possamos de fato termos juízos de nossos atos.

Há quase 2000 atrás, uma mãe sublime se reunira com os melhores amigos de seu filho, agora também seus filhos, à portas trancadas. Eventos sobrenaturais marcaram o acontecimento, como acontecera no primeiro pentecostes, quando no Antigo Testamento Moisés recebeu a Lei no Monte Sinai.

E Cristo, fulgurante em sua celeste ressureição, surge no Espirito Santo paráclito em labaredas de fogo. Os discípulos, antes criaturas medrosas e desentendidas, enfrentaram até a morte pelo Evangelho para cumprir sua missão.

O paráclito, no passado, eram o representante que falava da bona fide de um acusado. Não importava as provas, se o seu paráclito tinha boa fama, você estava livre. Apesar de não ter mudado muito nos dias de hoje, no famoso Q.I: Quem Indica. E esse é o Paráclito que nos livra da culpa. Deus, e todos os Seus seguidores celestes estão do nosso lado, meu caro. Isso não é pra qualquer um.

A promessa de Cristo se cumpira, não nos deixara órfãos. E hoje, celebrando aquela mesma noite, o mesmo Espírito vem até nós. Podemos não perceber, mas é ele que nos direciona para a vontade, que nos inspira, que não nos deixa pelo caminho. Quando tudo parece levar à uma direção, O Espírito de Deus que não age pelas nossas maneiras, nos leva para nossa missão.

E para isso, através dos seus dons, como Ciência, Fortaleza, Temor de Deus, Piedade, Inteligência…ele nos dá o juízo. Isso mesmo, aqueles que são recomendados pelas nossas abençoadas mães.

Conte com o Espírito Santo, o nosso problem-solver, o verdadeiro “seus problemas acabaram”. Tenha certeza, esse funciona.

Emitte Spiritum tuum, et creabuntur et renovabis faciem terrae.

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A Vida antes da morte

Maio 11, 2008 at 7:27 pm (Filosofia Barata) (, , , , )

“Eu abraço a morte. Ela não é eterna.”

É com essas palavras aparentemente mórbidas, meu caro, leitor, que vos exorto a tratar desse assunto. O Sedentário & Hiperativo, um blog de variedades muito interessante e o qual volta e meia sempre dedico um espaço do meu tempo vago, me chamou a atenção para esse post:

“Ninguém nos ensina melhor sobre a vida do que a própria morte. A jornalista Beate Lakotta e o fotógrafo Walter Schels perguntaram a 24 doentes terminais se eles poderiam acompanhá-los durante suas últimas semanas e dias de vida.”
O fruto desse trabalho foi uma série de fotografias e relatos colhidos antes e após a morte dessas pessoas.

Uma verdade surpreendente, eu diria. A exposição é realmente enriquecedora. Já dizia um filósofo, cujo o nome tentarei me lembrar mais tarde, que a melhor maneira de acabar com o medo da morte é enfrentá-lo todos os dias. Essas pessoas foram forçadas à enfrentar tal medo por saberem que estavam próximas à ela.

Não vou colocar as fotos dos que se foram aqui, mas você pode conferir alguns exemplos clicando na imagem acima. Olhando para as imagens, eu confirmo a minha teoria pessoal: falta alguma coisa àquelas pessoas… a essência, a alma, é completamente vísivel tal ausência.

A frase que abriu o post é da chinesa ilustrada acima, Maria Hai-Anh Tuyet Cao. O manifesto completo diz: “A morte não é nada. Eu abraço a morte. Ela não é eterna. Depois, quando nós encontramos Deus, nós nos tornamos bonitos”. Ainda me arrepio com as outras manifestações… ao contrário do que eu esperava com minha tola mente cética, nenhum deles estava com medo: os que não falavam do encontro com a eternidade, quando esse mundo se torna vago, diziam que consideravam um desperdício, um evento de grande perda. Ora, que sublime valorizar a vida! Uma mensagem que precisa ecooar na mente e em muitas situações do mundo atual.

Já nos dizia São Paulo que o homem era limitado porque, nascendo de corpo e espírito, acha que terminava no corpo. A mensagem que percebo daquelas frases é que, de uma ou outra maneira, aquelas pessoas perceberam isso. E hoje é o dia que a Igreja comemora a “percepção”, na ação do Espírito Santo em Pentecostes, das quais dedicarei um post mais tarde.

Por enquanto, é só.

E, é claro:

Fidelium animae per misericordiam Dei requiescant in pace. Amen.

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Memento: Visita. (+ Ignis Dei)

Maio 9, 2008 at 3:48 am (Uncategorized) (, , , )

Só para registrar, meu padrinho de Crisma, o Padre Mané, veio nos visitar essa noite. Os arrebaldes conhecem a sua destreza em rezar a Missa de maneira rápida, seu poderio como ex-chanceler do Bispado de Rio Preto, como chefe da Casa do Clero e exímio jogador de cartas. Foi ele quem me concedeu à Liturgia das Horas.

E o meu amigo Dynamo, com seus interessantes tópicos de PNL, agora tem um novo domínio. o IgnisDei.com. Bem mais fácil digitar, não? Também acho, meu caro leitor.

Por causa de seu nome legal em latim (o Fogo de Deus), o meu amigo Daniel e o Pe.Mané vão receber o prêmio “It’s better in Latin!”, concedido… bem, pra quem eu quiser! Parabéns, meus caros! Continuem assim para ganharem mais prêmios!

PS: Copiei a imagem de um site americano que vende camisetas com mensagens católicas, especialmente conservadores. Acesse!

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Intercâmbio: O corpo humano, real e fascinante.

Maio 9, 2008 at 3:35 am (Intercâmbio) (, , , , , )

Depois de alguns minutos, um doidão na rua assumiu a missão árdua de chamar táxis para o pessoal do consulado. Eu não entendia, mas tenho certeza de que o bom velhinho estava lá ganhando dinheiro com isso. O esbelto senhor capitalismo é dinâmico o suficiente para que esse tipo de situação ocorra.

Esse senhor também era um entendido no assunto. Mas de alguma maneira a complicada máquina cerebral que compõem as relações e os pequenos impulsos elétricos que se transformam em pensamentos e ações em nossa sociedade já não mais funcionavam de maneira “adequada” para o nosso querido condutor. Ele parecia descontrolado, disso eu lembro. Mas nada que me venha a memória nesse momento frio para que eu possa efetuar o registro virtual já transferido do código binário.

Decidimos dar uma chance até o Parque do Ibirapuera, onde estavam em exibição as peças da exposição “O Corpo Humano - Real e Fascinante”.   Ora, na época havia todo o bafafá sobre tal exposição aqui em São Paulo. O Gugu foi passear no local, a Mundo Estranho explicava o processo, e a mesma exposição é cenário para um dos assassinatos em Casino Royale. Pelo último, um must see.

Eram corpos e órgãos verdadeiros que passaram por um processo de plastificação, deixandos com um estilo flácido, explico-lhe se você não se lembra, caro leitor. Embora o dedo do homem tenha entrado no processo, o grande barato que aqueles eram corpos de verdade, de facto. Não é segredo que a Biologia nunca fora a grande ciência da minha vida, mas existiam algumas razões para passear na exposição: veja, só porque não gosto de definir se a célula era procarionte ou eucarionte, ou se uma célula vai ou não multiplicar os seus genes e todos os babados que ela queira, eu sei admirar as proporções e atributos da perfeição… ou seja, sei observar e tentar identificar a mão do Criador superior nessas obras.

O lado humanitário da coisa também tinha forte influência. Os rumores sobre a origem dos corpos eram os mais variados. O que mais colava, no entanto, era a de que os figurantes materiais da exposição eram prisioneiros executados na China. De fato, de lá vem os corpos e a grande maioria tinha os olhinhos puxados. Os hábitos humanos estavam ali registrados: um pulmão acizentado pela ação da nicotina do cigarro levou à muitos deixarem seus maços em caixas colocadas especialmente para isso. Questiono-me quantos realmente pararam realmente de fumar. Um pulmão aparentemente saudável tinha também suas características cinzentas, graças à poluíção que todos nós estamos sujeitos ao cotidiano. As ligações das veias são impressionantes. Os cerébros, pequenos e intrigantes. Tudo isso leva também à uma reflexão profunda da nossa condição material: sem sadismos, somos pó e ao pó voltaremos. Mas até lá, que máquina perfeita o Cara do andar de cima nos deu!

Acabamos comendo por ali, na exposição na Oca - onde o Pierce Brosnan acabou filmando o comercial do novo Vectra Elite - com as criações da mente de Leonardo da Vinci (um dos grandes estudiosos da anatomia, por ironia). Mas existiam dois fatores que impediram a mim e meu enjooado de ver corpos pai de ir a frente. Havíamos pago bastante caro para ver os olhos esbugalhados daquelas criaturas: cerca de 30 reais, cujo comprovante tenho até hoje. E tínhamos à frente uma enorme fila ostentada pelas crianças do sistema de ensino público que escolhera daquela a data de suas visitas. Nós colhemos nossos lugares de pai e filha que desistiram no final da fila. Mais tarde, porém, eles resolveram adotar novamente seus lugares, o que rendeu alguns olhares de censura dos olhares joviais dos estudantes. Na época, fiquei bastante nervoso. Hoje, não ligo mais. É claro, Captain Obvious.

Acabamos almoçando por lá mesmo e chegou-se à conclusão de que não esperaríamos pelo vôo noturno da TAM para garantir boas taxas. Pegamos então o taxista mais jovem e ativo da rodada, que fizera do seu retrovisor a arma mais poderosa que o homem inventara desde a espada. Dê a ele um retrovisor, e ele derrotará a espada, aposto. Ainda saiu voando por aí quando pedimos por troco, e conseguiu rapidamente, quando nos deixou na Barra Funda, na estação rodoviária, meu ponto final na capital paulista. Viação Cometa foi a escolhida, com algumas exigências para os confortos que as condições físicas do meu pai exigiam. Ele cochilou rápido na viagem de volta que nos levaria ao interior. Eu, no entanto, fui agraciado com um sol escaldante na cara, patrocinado pelo meu banco na primeira fila do double-decker. Who cares. Eu tinha um American Visa, filho. Era só encontrar a minha genitora que nos esperava com alegria no posto para voltarmos para Potirendaba.

Missão Cumprida.

E na Semana que Vem: A visita Papal.

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Intercâmbio: Batendo papo no consulado.

Maio 9, 2008 at 3:11 am (Intercâmbio) (, , , )

Hoje faz exatamente um ano que eu fiz isso. Que irônico.

Cumprimentos generalizados à parte, montamos no carro e avançamos.

Os taxistas em São Paulo merecem um prêmio por malabarismo. Como um show a parte para os turistas, eles dirigem mais pelo retrovisor do que pelo vidro a frente propriamente dito, graças a mudança constante de faixas.

“Embaixada Americana, né? Eu sei onde fica”. E começa mais uma história do típico brasileiro que não desiste nunca. Meu taxista em poucos minutos me resumiu como ele teve o visto negado duas vezes, como ele tinha arranjado um casamento com uma americana e como ele perdera sua primeira visita porque sua sobrinha não pagou a prestação do celular que estava em seu nome.

Muitos retrovisores, setas, curvas, avenidas e vinte e cinco reais de tarifa depois, o nosso sujeito parou o carro no consulado. Deu a volta no quarteirão, explicou que a entrada bonita não era para os vistos, que já levara bronca com outros clientes por isso, e como eles deram conta de fechar a rua pela segurança do lugar. Explicou que o estabelecimento vizinho também fazia todo o serviço da papelada para o típico brasileiro que deixa as coisas para a última hora.

Eu ainda tenho o papel do agendamento. A minha entrevista estava marcada para as nove horas, e eu cheguei lá por volta das sete e meia. Ora, estávamos na fila, que já se formava no lugar. Um segurança particular, tipicamente de roupa preta (cabe ao capitão Nascimento chamá-lo ou não de muleque, não a mim). Ele deu logo um berro informando que aqueles que tivessem entrevista até as nove horas podiam se aproximar. Bingo, zero-meia.

O segurança olhou pro meu papel de agendamento. Olhou pra mim. Papel denovo. Zoom. “Quem é o Tiago?”. Eu. Mais um zoom. “Quantos anos você tem?”. Dezoito, na época.

O segurança logo percebeu que meu pai entraria comigo, sem mais nem menos. Ele olhou pro meu pai. Zoom pra dentro. “OOOO fulano! Com quantos anos pode entrar acompanhado?”… a resposta foi vinte um. Obrigado, Deus.

Pausa para suspense. Me devolveu o papel, deixou eu entrar. Dessa vez, como havia explicado, havia entrado em território gringo. Legal. Eu entrei em mais uma fila, emocionante.

Observação. Tempo… alguma conversa preliminar com colegas de espera. Um deles era músico de Minas Gerais, viera de ônibus pro local e chegara a pouco. Ele tinha uma carta de recomendação de um americano para participar, se não me engano tocar música, em algum lugar dos States. O outro já era um senhor que falara dos sistemas do visto, mostrou-nos o seu antigo visto americano, um carimbo velho e simples, e disse que trabalhava numa multinacional americana e que agora precisava visitar.

Nesse momento, entra mas uma figura milenar em toda a embaixada: o sujeito de jaleco. Ostentando os símbolos americanos, ele apareceu-me e verificou a papelada. Quando ia dar seu sorriso de obrigação, ele notou que estava faltando a admissão na embaixada. Isso mesmo, cansado leitor. A admissão que eu não tinha.

O prático senhor do jaleco apenas disse-me para avançar para a outra fila, a do Citibank. Com uma janelinha simples, realizava as transações bancárias da embaixada. Um pai de família de meia idade esperava já pelo mesmo canto. Eu lembro dele. O banco, no entanto, abria às dez horas, se eu me lembro bem.

Espera. Observação. Nesse pouco (pelo menos agora, parece que foi pouco) tempo, eu pude observar o sistema de seguranca rígido da embaixada. Vi os funcionários chegarem. Vi uma família americana entrar contra todas as filas apenas apresentando o passaporte. Lovely.

A fila do lado, que deveria tomar depois de pagar a admissão (essa última vale alguns meses), mostrava o futuro. O segurança alertava: celulares na mão, desligados. Ele olhava para dentro da porta pesada. Olhava para as mãos com celulares, e deixava um punhadinho de pessoas entrarem. A misteriosa porta me deu calafrios e foi aí que tive uma crise de pessimismo diante do meu pai, especialmente por não ter muitos documentos em mãos. Não vou ser específico aqui, mas me questione e lhe darei detalhes em off.

O banco abriu. Cem dólares a admissão. Ah, a conversão não era tão generosa como hoje, no ano passado. Foram duzentos e dez reais.

Hora de descobrir o que havia por trás da porta dos calafrios. O segurança, que de vez em quando abria a porta e falava pra manter o celular em mãos e que o pessoal ia voltar, verificou nossas mãos cheias de equipamentos eletrônicos. Ele abriu as portas da esperança. E por trás das portas que eu temia, tinha… nada. Isso mesmo, nada. Era um detector de metais, que nada indicou, e um lugar para deixarmos nossos eletrônicos, com direito a uma senha. Passado o detector, havia um pátio enorme, com uma área coberta. As flechas mostravam a direção. E fomos parar no canto do barracão.

O lugar já parecia um formigueiro, muita gente. Eu tinha certeza que ia demorar para ser atendido. Mas, no final das coisas, não foi, pode acreditar.

O lugar é cheio de bancos, onde o pessoal vai se movimentando. Então vem mais uma senhorita de jaleco. Ela olha para a minha papelada. Com uma caneta marca textos, me orienta com precisão o que está errado, e o que tenho que marcar. Santa moça do jaleco, com certeza vai pro Céu. Questionei sobre riscar a papelada. Ela falou que tudo bem… e trêmulas notas em caneta BIC surgiram entre as garrafais letras automáticas que tinha preenchido no computador. Nos finais das filas, haviam os guichês aonde o pessoal é atendido. Fila anda, e o primeiro guichê surge. Instruções eletrônicas saiam dos guichês, uma vez que o vidro os separava do pessoal la fora. A moça orientou a deixar tudo pronto, para agilizar, depois que alguns foram mais lerdos no processo. Cheguei, e apresentei como requisitado. Ela verificou tudo e depois disso grampeou uma super senha no meu passaporte, em laranja. Confesso que não gostei de um grampo na capa do bonito brasão da República que ilustra meu passaporte, mas não era nada de mais.

Próximo guichê. Eles chamavam as senhas de maneira variada, então atenção dobrada era requerida. E logo fui falar com a próxima atendente. Esses, como em todos os guichês, eram claramente americanos, o primeiro contato em toda a embaixada. A moça então me explicou em gestos automáticos como colocar minhas digitais. Fiz isso e a moça me liberou rápido. Nesse processo, meu semi-amigo músico estava sendo entrevistado, mas eu estava com uma preocupação muito grande para la pedir como ele fora. Sentamos no banco mais temido do dia: o das entrevistas.

Havia três guichês para entrevistas: havia uma loira com cara muito profissional. Ela parecia brava, mas só aparência. E atendia rapidamente. A do meio era também sorridente, mas parecia exigente. E o terceiro era um homem, que parecia muito atento. A chamada por senhas era alternativa . Estava eu lá, com um frio terrível na barriga, como se fosse a minha conversa com São Pedro para admissão nos portões eternos, quando a senha indicou que eu deveria ser atendido pela loira. Eu gelei, fiquei com medo. Meu pai, que aparentemente não deveria ir comigo, simplesmente ignorou o protocolo e me acompanhou. Um último teste: um casal disse que havia sido chamado antes e foi tratar com ela. Eu esperei, gélido.

Quando eles saíram, a moça me chamou. Ela indicou o telefone e eu o peguei.

Falou em português, bastante rápido: Bom dia, tudo bem? A minha resposta foi automática, coitada. Eu disse que estava bem, mas não pedi como ela estava. Se ela estiver lendo isso agora, por favor, me perdoe pela falta e educação.

Em seguida, tivemos uma conversa rápida. Para onde eu ia, porque e como, basicamente. Eu não menti. Fiz algumas explicações maiores do porque de Charleston, South Carolina, incomum para quem viaja aos EUA.

Estava explicando tudo a ela. Foi então que ela verificou tudo, e depois disse-me:

“O senhor foi aprovado. Por favor, prossiga para o SEDEX”.

Deus, parece que estou sentindo aquilo de novo. Que alívio, que coisa incrível. Um alívio divino, algo celeste, sublime. A sensação de incredulidade veio depois que eu agradeci a moça e coloquei o telefone no gancho. Fiquei com vontade de voltar e pedir pra moça como ela tava, reparando minha falta de cortesia.

Como se não acreditasse, eu olhei pro meu pai. Eu não sabia se era aquilo mesmo que eu ouvi. Às vezes foi minha imaginação. Mas, meu pai confirmou tudo. Por um gesto do destino, ele disse que a única parte da conversa que ele entendeu foi a moça me informando da sua decisão.

Segui então para o SEDEX, logo ali do lado. O atendente me explicou que por se tratar dos documentos, o processo era mais caro, pra garantir entrega. Me deu a papelada pra preencher e o meu pai foi pagar pelo processo. Entre um e outro gringo que fora lá solicitar atendimento, preenchi tudo, entre o pessoal do visto aceito e um único negado que vi. Eu bebi alguma coisa na cantina ali no pátio, depois disso.

Coloquei tudo na pasta e saímos da embaixada, pegando os celulares no caminho. Havia uma família americana decidindo pra onde ia, também na rua. Eu liguei pra minha mãe para dar as boas novas. Esqueci de colocar o código de área e cai em algum lugar por aí. Perdão, se você que atendeu está lendo isso. Meu pai verificou o horário. Era um pouco mais de onze, acho.

Muito diferente do que eu pensava, apesar dos pensamentos iniciais, o consulado soube me tratar muito bem, e algumas acusações por aí chegam a ser injustas ou não fundamentadas com aquilo que vivi. A minha dica para quem vai lá é para justamente manter a calma e tranqüilidade, e o respeito que se apresentar para qualquer um, especialmente no ambiente civilizado. Não minta, e você consegue. Mesmo com essas palavras, vai lhe soar difícil no momento, mas depois você vê que esse foi um nervosismo bastante estratégico, praticamente bobo, lerdo.

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Intercâmbio: A nova série do Fides et Ratio

Maio 3, 2008 at 11:36 pm (Intercâmbio) (, , , )

Saudações, meus inúmeros, grandiosos, cultos e inexistentes leitores!

Fico feliz que o blog tenha recebido de fato algumas visitas recentemente, coisa que admito não ter esperado com o advento dele. Parte dessas visitas eu devo ao meu amigo de longa data, Daniel, ou Dynamo, como preferir. Desde as escola, ele sempre se interessou por assuntos diversos, e agora, por meio dos fatos da vida, ele continua com novo fervor o seu blog, o Ignis Dei (e viva o latim!).

Hoje estamos iniciando uma série de posts que, espero, consiga terminar aqui no blog. Ele é também um dos objetivos porque voltei a postar meus pensamentos fracos: o registro dos acontecimentos do intercâmbio, que já está para completar um ano de ocorrido. Tempus fugit, como se diz por aí. Eu vou começar pelo acontecimento mais forte de início de envolvimento meu com o território gringo: a embaixada americana para conseguir o visto de entrada nos Estados Unidos. Esse processo assusta muita gente, e me assustou também, tenha certeza. Mas, antes disso, vou comentar da viagem como um todo.

Marcar um passeio no consulado americano leva  seu tempo. Para aqueles que estão por fora das condições diplomáticas, uma embaixada é considerado território do país que representa. Ou seja, todo ser de células tupiniquins que por seus pés na embaixada pode dizer oficialmente que esteve em território americano. Qualquer coisa que você faça por lá está sujeito aos tramites de leis daquele país. Todo mundo já viu um filme em que o personagem acaba fugindo para a embaixada para pedir proteção. É mais ou menos por aí mesmo. Lá dentro, você não pode ser preso pelo país acusador, já que está no seu território. E se você tentar violar – Jack Bauer, preste atenção agora – a embaixada, você está violando a soberania de um país e provavelmente, depois de desculpas por “mal entendidos” poderá ser acusado ato de guerra. A história é cheia de exemplos recentes disso. Quando o ex-presidente do Equador fugiu para o Brasil, ele se abrigou temporariamente na nossa embaixada por lá. Ai daquele que tentasse alguma coisa. E quando o Chapolim–, err, quer dizer, o Chavez arrumou briga com os amiguinhos na Colômbia, ele expulsou os embaixadores do “inimigo” de seu país. Acredite, quebrar regras diplomáticas pode gerar muita dor de cabeça, meu caro leitor, como diria M em Cassino Royale: quebrar a principal regra das Relações Internacionais.

Mas chega de briefing. O meu consulado americano para o Brasil fica em São Paulo, assim como outras cidades mais. Nós estávamos bem no meio de um início de crise aérea – coisa boba, o pessoal diria – e isso motivou algumas passagens bastante baratas. Sabe o que isso significa, seu zero-meia? Que o Tiago ia para a capital do estado de TAM.

Ahhhh, andar de avião. Minha última experiência fora andar de teco-teco aqui, no former campo de aviação. Uma atividade transformadora, se me permite dizer. Antes dela, eu expressamente proibira meus pais de viajar longe de saídas de emergência em sua viagem para o Chile. Santa inocência.

Depois que eu dei uma volta panorâmica pelos verdejantes prados do território potirendabano, porém, meu conceito de vida aérea mudou. Do nada, o Tiago passou a andar com miniaturas de aviões para todos os lugares. Era mais fácil do que agachar para carrinhos, afinal. Pilotos da força aérea viram seus heróis, e a Esquadrilha da Fumaça, um sonho, como continua sendo. Mas, apesar do vício contínuo, eu so havia andado uma vez de avião até então.

O aeroporto de Rio Preto de manhã pode não parecer um lugar inspirador, mas pode acreditar, continua sendo divertido voar. Uma dor de barriga psicológica marcou meu jejum de voar, talvez não por montar em um avião – coisa que eu queria há muito tempo – mas sim o medo de ter o visto negado. Vocês entenderão logo, prometo.

O friozinho da manhã não tira o sorriso das aeromoças que esperam você com pompa na porta do avião, perto do comandante da aeronave – jovem, na maioria das vezes, bem no estilo “Prenda-me se for Capaz” mesmo. O ticket indica aonde você deve sentar. Eu fui agraciado com uma janela. Ótimo. Meu pai, meu companheiro corajoso de medo de aviões, do meu lado.

O sorriso da aeromoça varre a aeronave, travando poltronas, verificando porta-objetos, certificando-se dos cintos. “Desculpe senhor” aqui, “tudo certo” ali, e a aeronave está pronta para partir. A porta se fecha – para a aflição inicial de uns e uma mistura profunda de sentimentos da minha parte – e logo o super comandante testando o rádio diz: “Tripulação, decolagem autorizada”…. ahhh, novamente, que baita satisfação ouvir isso. Se algo acontecer, eles vão continuar sorrindo pra você. Começa então o cerimonial de emergência explicado pela tripulação, geralmente com pequenos visores que surgem a sua frente e um manual que fica nos bancos: impressionante como eu fui um dos poucos que pegou o papel para dar uma olhada séria nele. Enquanto a aeromoça continua sorrindo bonitinho com a máscara na boca, a aeronave se posiciona. Ora, colocando-se o avião na cabeceira da pista, ela se senta, gentilmente.

Nunca vou esquecer a decolagem. Eu estava olhando para a janela, o barulho insistente da turbina semi-ligada, a luzinha insistente em piscar na ponta da asa e que marcava a pista.

VUUUUUUMMMMM… talvez seja essa a melhor prosopopéia que representa a turbina ligando, seu corpo indo para trás e a sensação de frio de barriga deixando o chão… uma olhadinha pela janela, e a basílica está próxima. Tempo para o sinal da cruz, a proteção constante que me acompanha, assim como uma boa parte do pessoal de confiança espiritual voando. Alguns minutos depois, o sorriso branca de neve aparece novamente. Balinhas, refrigerante, suco, água… tudo isso são oferecidos pelas gentis aeromoças. Fiquei olhando pela escuridão da janela a maior parte do tempo, as tímidas luzes da cidade se apagando para a manhã acolhedora dos primeiros raios de sol. Imaginar de quais cidades se tratavam e um assunto para os experts, não meu. Mas sempre vale uma tentativa, entre uma e outra explicação do meu pai, um pouco mais confiante, sobre o avião. Solicito o fone de ouvido para sintonizar o canal de música clássica. Talvez o único que tenha tido tal interesse no avião. Mas eu não consegui ouvir completamente a primeira composição. Tempus fugit. Cinqüenta minutos passam muito rapidamente dentro de um avião. Quando você pensa que abaixo das nuvens existe apenas o mato restante no estado de São Paulo, o piloto anuncia que já estamos descendo e logo o muro de concreto da cidade aparece diante dos seus olhos como mágica. O aspecto cinzento dos prédios, a proximidade com o solo, as formigas humanas se movendo lá embaixo: como é bom voar.

Pousar um avião é uma arte. Na maioria dos pousos que tive, houve baques, houve barulho, e houve simples toques na pista. Eu não lembro desse vôo especificamente, mas tenha certeza, foi demais. Tudo isso, claro, depois dos sorrisos Colgate da aeromoça ter se certificado que os bons passageiros estavam com seus cintos adequadamente apropriados para o pouso. O comandante e tripulação agradecem o vôo, lembrando que “sabemos que a companhia aérea é uma decisão do cliente”. Que fofinho.

Os mesmos sorrisos acolhedores te esperam lá fora, naquele ar de “volte sempre, camarada”. Acho que meu comandante chamava Arthur. Esse nome veio agora na cabeça.

O aeroporto de Congonhas estava bastante ativo na época. Esperamos por um ônibus, que veio nos buscar na pista e com velocidade nos levou até o terminal percorrendo mais ou menos o tamanho do aeroporto de Rio Preto. Quanta ironia.

Os trabalhadores vestiam suas blusas: eu estava claramente na terra da garoa, podia acreditar que realmente aviões funcionavam. Pode parecer bobo, mas sentir um ocorrido sempre muda o sentido da coisa.

Meu pai e eu saímos do aeroporto cerca de 7:06 da manhã. Seis minutos para cruzar, o avião chegara na hora. Um táxi esperava, como sempre espera. São Paulo não pára.

No próximo post, a entrevista em si. Fiquem de olho, leitores inexistentes!

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Super Trunfo Católico (?!)

Maio 2, 2008 at 3:43 am (Papist) (, , , )

Com o material recolhido, Menezes estabeleceu os quesitos para o jogo: fé, milagres atribuídos, número de devotos, ano de canonização e RPM ou Reação ao Pecado e à Mentira. Este, uma alusão clara às Rotações Por Minuto que vinham especificadas nos Super Trunfos de carros e motos. Assim como o RPM, o quesito fé foi deduzido, mas não foi tirado do nada. São Tomé, por exemplo, só levou 2% por ser desconfiado e só acreditar no que via. São José, pai de Jesus, chegou à cotação máxima das cartas, 99%, por crer que Maria engravidou virgem. Tudo tem um fundamento, como os outros quesitos que foram extraídos de dados oficiais, ou quase.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/super-trunfo-catolico

Uma idéia um tanto quanto dividida essa. Os acessores de comunicação das arquidioceses pelo país disseram basicamente que o jogo serve para evangelizar, mas peca em alguns atributos como quantificar santidade.

Concordo com os acessores. Ou você é Santo… ou você não é. Mas ainda assim, embora a falha no aspecto teológico, a idéia é até que divertida. Se não assumir sentidos perjorativos demais, será sempre bem-vinda. E se você quiser me dar um de presente, eu aceito. Aposto que os meus santos favoritos - sem ofensa ao resto da comunidade celeste - estão lá.

No final, há males que vêm para o bem, até. Como a piada recente que Jô Soares contou:

Uma senhora rezou à Deus solicitando por comida. O diabo, ouvindo a oração, decidiu aprontar. Mandou um dos seus preparar a melhor cesta de comida existente e enviar à senhora, dizendo que aquela havia sido uma generosidade da parte do coisa ruim. Ora, batendo o indivíduo na porta da velha senhora, entregou-lhe a cesta. Esta o acolheu de maneira alegre, sem problemas. Já ia para dentro, sem mais nem menos, quando o ser do mal lhe perguntara: “Ora, não quer saber quem lhe enviara tal presente?”

A senhora apenas respondeu: “Não precisa não… quando Deus manda, até o diabo obedece.”

 

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It never gets old, huh?

Maio 2, 2008 at 3:16 am (Uncategorized)

A campanha viral da Discovery… simplesmente demais. E concordo plenamente.

I love the world. Você vai entender logo porque essa música não vai sair da sua cabeça.

Um post dedicado à minha bisavó, Maria, e ao grande Ayrton Senna. Ambos nesse primeiro de Maio celebraram o aniversário do dia em que Deus lhes chamara para o reino triunfante. Ambos mudaram, cada um em suas proporções, a minha vida. E por isso, eu ainda amo o mundo. E pretendo fazer dele um lugar melhor, pra um dia com todos eles voltar pra cá. Do jeito definitivo.

 

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